SOBRE A FELICIDADE

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Tem gente que não sabe ser feliz. E o mais triste nisso, é que nunca serão. Porque a felicidade ou é um dom ou um aprendizado em que se gradua com muito esforço ano a ano, a cada situação vencida ou não. Sim, porque nem sempre vencemos e isso é um fato, mas ser feliz pode ser uma escolha. Eu respeito a sua.
O que me dói é ver que há pessoas que nem sequer sabem reconhecer a felicidade em suas tantas formas e vão se perdendo insensíveis e ingratas. 
Então, não percebem quando ela sorrindo passa correndo, pulando e ainda acena. Quando emburrada não quer sair da cama e faz cena, faz drama. A felicidade as vezes passa do ponto e vem com gosto de queimado, as vezes é um remédio amargo e muitas vezes requer sacrifícios e muito cuidado. Por vezes não é apreciada quando brota cuidada na varanda, ou tão sozinha e nativa desbrava a terra e floresce.
A felicidade tem um sobrenome que as pessoas detestam e então ignoram. Mas é verdade, a felicidade vai à escola e dá muitos anos de trabalho. Faz-me algumas exigências pelas quais trabalho mais ainda. E volta ao trabalho e bate ponto, cumpre suas tarefas e leva pra casa os seus resultados.
Ela precisa de acordos e uma manutenção cautelosa. Por vezes se mostra frágil e se abala com a dureza da fala, com a indiferença dos atos.
O sol entrando, o cachorro latindo o que por um momento me interrompe... um brinquedo esquecido no meio da sala, a prova com data marcada, não é também felicidade? A felicidade é meio doída.
A felicidade põe a mesa, tem despesa, faz as contas de cabeça para não estourar o orçamento, faz a cama, faz planos.
Ela vem ao meu encontro quando chego em casa, me abraça, me beija a face e sempre diz: Oi. Ela tosse a noite e traz preocupações. E sem que eu espere abre um sorriso espontâneo e me faz uma declaração de amor. Se encaixa no meu colo de mansinho e exige carinho.
A felicidade é essa garatuja colada no meu guarda-roupa e a outra riscada na parede da sala, o que deveria me deixar brava, mas eu só sei admirar. A felicidade é meio boba.
Não saber ser feliz deve doer carne e alma, mas tem coisa mais dolorida. Há os que não sabem o valor da paz. Por isso não evitam a discórdia, não se afastam do mal e se deixam contaminar. Será que não conhecem o peso da palavra leveza? O esforço para chegar a  harmonia e a luta por trás do sossego?
Quem não sabe ser feliz, que tente pelo menos, exercite. É preciso algum tempo e pode-se aprender observando as coisas mais simples, entendendo o lírio do campo, a correnteza do rio, doando uma porção do seu tempo, arrancando com a própria mão a angústia de alguém próximo ou não. Na verdade tem gente, e é com muita tristeza que digo isso, jamais serão felizes mesmo, porque ignoram que ser feliz é saber fazer feliz o outro.
E há coisa mais grave e severa ainda, é quando a indiferença e o egoísmo são tanto, que existem pessoas que passam as horas, dias, meses, anos, uma vida inteira por conta do próprio umbigo e pra essas pessoas nada do que eu disse, nada, faz o menor sentido.
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