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Hoje eu sei sobre a verdade oculta nas entrelinhas dos créditos finais a toda aquela gente que deixou algo de si em alguns filmes que de tão belos até me falta a palavra perfeita, então direi sublimes. Sim, sublimes ao ponto do arrebatamento.

Hoje fui arrebatada por uma obra assim e fiquei impregnada de uma vida que não era a minha e toquei a emoção que também não era a minha, mas a vivi até a alma exposta. 

Era sobre a vida de alguém e havia um tom íntimo, todo íntimo, muito pessoal. Eu não podia julgar, apenas tive respeito. Em algum momento era a minha vida também. Sozinha, eu queria estender a mão, mas somente acompanhava quieta e sentia cada cena, cada palavra, cada silêncio. E entendia todo silêncio que havia, toda humanidade nua e crua, toda fraqueza exposta, todo mistério não revelado e um êxtase que não cabia em mim, era triste, mas era lindo e lindo. Eu entendia seus porquês e escolhas e o belo e a arte, era genialidade que comove e se deseja perpetuar e se busca com esforço preservar. E houve muito esforço.

Mas a genialidade pode ser perturbadora, pode ser o amor em agonia e também pode conduzir a caminhos tortos. E o gênio perdeu-se e todos perderam um tanto mais ainda. Mas o caminho já anunciava o seu fim desde o início. Mesmo assim um susto e um sofrimento inevitável. 

Então, assim descobri porque são necessárias as letrinhas miúdas correndo pela tela e a música ao fundo correndo junto com a emoção da gente. É que é preciso caber nesse tempo um olhar mais demorado, reordenar os sentimentos, destravar a garganta e guardar quase que alcançando com as próprias mãos e acomodar o mais profundo e seguro possível dentro do peito o sentimento, a essência, a alma de uma obra que não permitirei que se perca jamais, não em mim. 
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