VIAS IV



E volto ao ponto final, ao ponto de início, ao ponto do fim. Entendo. Eu entendo a ponto de um voo, voo de libertação e libertação a ponto de salvação. Mas não a salvação do menino que eu vi.
O menino bang-bang, mocinho-bandido entre dois soldados, também pais, também armados. E o menino abaixando a cabeça, deixa escapar da algema um sorriso que pra não ser triste nem fraco é cínico. Mas mesmo assim é desamparo. Desamparo de hoje, desamparo de sempre.
O homem não voa, pensa. Seu grande voo, sua prisão. O menino não. O Menino espetáculo repetido, de uma trupe errante, um bando, uma gang, sem roteiro, sem destino de tudo, sem rumo, rumo ao despenhadeiro. Eu vi mais dois e tive medo. Eu vi tantos.
Eu vi o desamparo do casal de quase crianças que se amparava e criava as suas. A mãe, uma sobrevivente, eu sei porque vi as suas marcas, labaredas violentas corpo abaixo, corpo acima. Na cintura escanchada a caçula e no piso de birras a outra chamava a atenção do pai, menino lavador de carros, levador da vida e já cuidador de família. Ele, ergueu a pequena do chão e também a escanchou na cintura e foi resolver suas coisas. Ela ficou altiva, princesa pobre coberta do ouro da atenção do pai. Pareceu-me bonito que eles não tendo muito, se tinham tanto. E desejei o felizes pra sempre. Eu me consolei com esse pensamento e fui resolver minhas coisas. Grande coisa.



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